Despenar a Pena?

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"Estamos todos condenados à reclusão solitária, dentro da própria pele, em pena perpétua."

Tennessee Williams

Que idade tinha quando percebeu que falhou na vida?

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"Todo o mundo mais ou menos a falha.

Isto é, falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação."

Eça de Queiroz

Verdades Universais

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Porque será que se prevê à légua que os ideais psico-filosóficos mais liberais são também os que mais se espalham no "umbiguismo" conservador?

Lucidez do Instante



"Às vezes tem-se a noção de que os nossos grandes momentos estão a acontecer, e outras vezes, eles emergem do passado. Talvez seja a mesma coisa com as pessoas."

James Salter

Acto Contínuo



Nunca um caminho termina que não desemboque noutros
... minutos de correr a viver a olhar para a frente e não para os lados a querer outro e ser o mesmo que vira o disco e toca igual em memória de cheiro mas não de cor embalsamada em pontas espigadas que só servem para picar ou não fosse o caso de se ser sadomasoquista nestas linhas que têm fim. Amanhã quero ser eu.



É de nós que, de tão lento, se desprende agora o tempo.

...



*Iluminadores de destinos*

"Fria Ocorrência do Pavor"



Há estações entranhadas
exauridas das linhas de fogo
centriptamente estranguladas
na noite, na mão, no fôlego.

Ainda assim,

Nenhum despertar se esquece,
"fria ocorrência do pavor",
da violência gélida das manhãs.

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(Eu cá vou expulsando as estrelas com a mormaça das tardes...)

Epílogo


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Andante; allegro poi non troppo


Acolitam-se os sofismas
com o letargo do garrote
e a mordaça rilhada

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dos bosquejos aluídos
entre-espaço de nuvens

diluem-se nervos
cinza torpor mórbido

em cândidas olheiras

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A cura de um mito
é rumor de ínsula...

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apenas mito...
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Dispersão Circular



Fulcro-voz entre clarões de espada
Ela dança, chama, morfinada
E flébil de prata...
Nua e delicada

Roda, rodas... frenesim que mata!
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Tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic...
vivemos no milionésimo suspiro, dos planetas ritmado
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Sim, trago frutos, quanto baste, dos tempos de cueiros...


os meus búzios são por certo mais alegres


e a frustração não é minha.


Será melhor suicidar as ânsias em exílios de parêntesis...


ou em doces águas lentas.
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Hormonados-desormonados?

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Ocitocina e vasopressina...


hormonas que explicam fisiológicamente a fidelidade...


já está explicado o "mau caratismo" de muitos mutantes!
e insegurança qto baste p nutrir egos inócuos
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Carnaval

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Por puro prazer...

enrodilham-se borbotos de credulidade no cotão da verosimilhança...

perfeito alimento para néscios polítrofos.
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Edgar Allan Poe

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Duas traduções do mesmo poema "O Corvo":

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
vagos, curiosos tomos de ciências
ancestrais,
e já quase adormecia, ouvi o que
parecia o som de alguém que batia levemente
a meus umbrais.
"uma visita", eu me disse. "está batendo
a meus umbrais. É só isto, e nada mais."


Outra

Em certo dia, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu caíndo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga.
De uma velha doutrina, agora morta,
ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de
Mansinho;
Há de ser isso e nada mais."


De qual é quem e de quem é qual?
Fernando Pessoa e Machado de Assis
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Procurei a tasca dos c _ _ _ _ _ _ _

Mas não.

Devem reunir-se noutros locais
...
...
...

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Resignação

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Nas entrelinhas da terceira resignação... mastigam heliotropos boreais a cadaverina dos mortos-vivos.
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E o verdadeiro arúspice a ver
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Em contra-mão


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Seria bom fazer o tempo andar para trás?

Talvez não...

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e nos dedos em tinta
somos quem (tu) quiser(es) ser
e tu.a(ser) quem eu quiser(a)
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Lucidez

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Ainda tinha vigor para apertar no punho a lucidez que se escapava, que se rebelava, procurando fugir-lhe entre os dedos, perseguindo um panorama que foi seu num tempo já perdido, confundido nesse Inverno que chovia com dura insistência sobre a paisagem desolada da morte. Ele tinha estado ali, parado debaixo dessa chuva, de pé, inamovível como uma estátua, suportando a rajada de granizo que lhe cortava as pálpebras enquanto o seu cérebro construía as imagens, essas imagens voluptuosas, amargas, que lhe povoaram o seu mundo. (...) porém (...) acreditara que a resistência - embora dolorosa - seria eficaz. Pôs na sua rebeldia o pouco vigor que ainda lhe restava depois do seu passado vacilante. No entanto (...) de nada lhe valeu defender-se como uma fera em retirada e mostrar os dentes de cão ferido aos fantasmas do medo. De nada lhe valeu arrastar-se com as vísceras despedaçadas para afugentar os corvos da luxúria. Tentou levantar entre o seu passado e o seu presente uma trincheira de açucenas. Mas foi inútil a sua luta, como foram inúteis as dentadas que deu na terra dos vermes para sentir na língua essa humidade tépida que não teve o leite da sua mãe. Sim. Agora esse mundo tinha vindo até ele. Tinha-se tornado presente, com toda a sua realidade indestrutível; tinha-se imposto à sua morte como uma força maior que a vontade. A sede. Ali estava ela, a empurrá-lo para a cal das paredes, essa sede eterna que lhe enchia a garganta com o seu passado turvo de amanheceres. Porque agora, nessa madrugada definitiva, tinha de enfrentar a terrível verdade que acabava de deter-se nas suas costas. Era doloroso SABER QUE TINHA DE SER ELE A QUEBRAR COM OS SEUS PRÓPRIOS BRAÇOS O ESPARTILHO DA SUA REBELDIA.

In
Olhos de Cão Azul, Gabriel García Marquez



continuum descontinuum
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Contemporâneos... só para quem gosta!

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Fazer Rimas? Falar das Emoções? Vai mas é Trabalhar!!

Esparguete com Estrelas de Caleidoscópio




Há gente com ideias fantásticas... Ufa, ainda bem!

Segundo Nível

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Proclamas-te etéreo ser!
Obtuso ângulo, vaidoso e fechado.
Idolatria cega do teu ego fraco,
Ícaro charlatão de vazio viver!

Divina comédia, longo o caminho!
Eterna Beatriz de doces aromas...
Loucas panteras... roseira em espinho,
À calçada de liso grão retomas.

Perdeste-te só na praia deserta,
Ridículo, és fonâmbula ladaínha...
As tuas rezas ninguém desperta,
Ser triste que a noite sublinha.

Sombras de chuva, a passos lentos,
Movendo a rez negra à eterna dor,
A justiça surge em rudes ventos,
Suprema razão, valoroso autor.

Por isso, fica-te mal-nascida,
Mirra harpia na tua sentença.
Desalinhado crivo, alma perdida,
O próprio fel bebas, que te vença!

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Sabor a Nada

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A água é tudo quando não acaba em nada
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Nem no pingo que ainda pinga - ou já não pinga
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Dos ramos da roseira ou dos sulcos da calçada
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E (é) Simples

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Velhos lugares de amor à vida,
Regresso ao pó fino da estrada.

O hoje já não é de ontem,
Às copas não voltam as folhas,
A grão incógnito retornam.

Jamais renasce o que morreu.

O amor é coisa simples...
E o tempo devora coisas simples


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